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Eco-teologia

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Nos últimos dias vários assuntos ganharam destaque nos noticiários brasileiros. Um deles foi o “dia virando noite” em São Paulo. Os especialistas explicaram que isso se deu por conta das queimadas desenfreadas na Amazônia. Algumas agencias ligadas ao meio ambiente estimam que cresceu significativamente o desmatamento na região nos últimos anos. Diante disso fica a pergunta: o que a teologia tem a ver com isso? Tudo. Se tomarmos a Bíblia como um livro de literatura em que se leve em conta o chamado “arco literário” veremos que o primeiro livro começa narrando a criação do céu e da terra e o último livro trata do novo céu e nova terra. Sendo assim, não podemos desconectar a criação da soteriologia e até mesmo da escatologia. A necessidade premente é repensar uma teologia da criação. Como propõe Leonardo Boff. “Uma teologia da criação nos ajudará a encontrar o sentido de uma teologia da redenção. Redenção supõe um drama, uma decadência na criação, e na vocação humana uma rup...

Estudo sobre Malaquias

Restaurando o altar Malaquias 1 Amar e aborrecer a Deus (vers. 1-5): O amor de Deus em relação à Jacó/ Israel passa pelo crivo da aliança divina. Uma vez que Jacó é a tese e Esaú a antítese da relação com Deus. Nesse sentido há somente dois povos na face da terra. Um que tem aliança com Deus e outro que não tem. Deus estabelece com seu povo uma aliança eterna de vida e paz. Isso pode ser sinalizado pelo amor de Deus em relação aos que o temem. Como se pode experimentar isso? Através de nossa vida cotidiana e das relações que temos passado. Muitos livramentos temos experimentados e muitas situações ocorrem em nossa vida que não se explicam racionalmente. Somente podem ser explicados pela ação de Deus em nossa vida. O amor de Deus é fruto de sua aliança com seu povo vers.2. Da mesma forma que ele manifesta seu amor para com seu povo, manifesta sua justiça para com aqueles que não são seu povo. Nesse sentido entende-se que não há como escapar das mãos de Deus. Os versículos ...

Distopia do real

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Confesso que a cada dia tenho mais dificuldades com as utopias. Não somente com elas, mas tenho dificuldades com as ideologias rígidas e teimosas. Não dá para saber se estou certo ou não. Como não ligo para isso. Pouco me importam as certezas. Esses dias tive a oportunidade de conversar com pessoas que vivem sob uma ocupação. A conversa foi muito enriquecedora, pois não se trata de teoria, mas de prática. A ocupação data de mais de duas décadas e não foi legalizada. Há uma briga judicial. Enquanto isso a comunidade segue lutando pela vida. O líder da comunidade diz que não faz mais parte do grupo que ajudou na ocupação. Em suas palavras o movimento social que os ajudou e estar ali é um “produtor de miséria”. Não somente ele tem essa opinião, mas quase toda a comunidade. O sentimento que predomina ali é de que foram usados tanto por políticos como pelo movimento. Até hoje vivem sob condições precárias. Falta luz, não há asfalto, as pessoas carecem de formação. Os antigos líd...

Wesley e o estado intermediário

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Em poucas palavras pretendo expor o que li do livro de Kenneth Collins sobre a crença de Wesley num estado intermediário. Tal sinalização está dentro do escopo conhecido de que Wesley seria um teólogo de via média. Isso implica em reflexões teológicas influenciadas por certas doutrinas medievais (católicas). Runyon em “a nova criação” cita que um dos grandes “problemas” de Wesley foi dar forte ênfase na doutrina da santificação e perfeição cristã não dedicando muito tempo aos demais temas como, por exemplo, a escatologia. Vários estudiosos concordam com isso e chegam a afirmar que por isso a questão escatológica não ganhou muita ênfase no movimento metodista. Quando se trata do metodismo e de Wesley há muita coisa escrita e muita gente escrevendo de tudo – certamente há quem queira me contraditar ou mesmo Collins. O que destaco é que Collins “garimpa” os esboços teológicos de Wesley para dizer que ele cria no estado intermediário. Nas palavras de Collins: “Na morte, a alm...

A igreja e o racismo

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O ano era 2008. Eu um simples seminarista do interior do Rio de Janeiro perdido em meio a correria de São Paulo. Olho no corredor. Um negro alto de fala mansa e sorriso aberto. Ao sorrir apertou a minha mão e me convidou para entrar. Era um encontro sobre negritude e os evangélicos. Algumas pessoas, conversa a plenária iria começar. O homem que me recebeu falaria na plenária. Seu nome: pastor Marco Davi. Começava ali um despertar de consciência evangélica sobre negritude. Para mim aquele encontro não dizia respeito a nenhum movimento social. A sensação que tive no momento (e que me acompanha até hoje) é que foi um despertar espiritual. Para ele pode ser que tenha sido mais um dos centenas de encontros sobre negritude e evangelho. Para mim foi o despertar de uma consciência. O homem de fala mansa e sorriso largo foi profundo em palavras. Aliás, não precisa ser enérgico, vociferar, empolgar o auditório com bravatas para ser profundo e tocante. A imponência vem pelo conhecimen...

Ditadura à brasileira

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Há tempos queria falar sobre o livro do Villa “Ditadura à brasileira”, mas nunca o tinha lido. Como consegui compra-lo em uma promoção resolvi dedicar algumas linhas para tratar dessa obra. Já havia lido alguma coisa do Villa. Lembro-me de que na campanha presidencial de 2018 ele criticara a tese doutoral de Fernando Haddad com certo desprezo intelectual.Arrogou-se como grande pesquisador e escritor. Pois bem. O livro de Villa não é dos melhores para tratar do período – embora não se trate de uma tese doutoral não pode ser colocado como uma obra de grande destaque também. Parece que o autor procurou dar continuidade à biografia de Jango. A biografia é muito boa, já o livro sobre a ditadura não é tão bom. A começar pela própria divisão interna que é repartida em nove capítulos destacando os anos do regime. Por mais que a intenção tenha sido impingir certa didática ao livro dividindo-o por ano não pereceu razoável a maneira que Villa abordou os assuntos. A proposta principa...

Bandidos na tv

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Não resumo meus textos somente a questões teológicas e políticas. Viso também tratar de artes e outras pautas pelas quais me interesso e gosto. Uma delas diz respeito a reportagens e séries de investigações criminais. Um amigo me indicou a série “bandidos na tv”. A primeira série trata da vida de Wallace Souza, um apresentador populista que se tornou deputado com expressiva votação no estado do Amazonas. Wallace apresentava um programa de auditório com ênfase em denúncias contra o crime organizado e tráfico de drogas. O programa recebia denúncias de crimes e fazia coberturas em tempo real. Com a atuação de Wallace e de sua equipe muitas pessoas foram presas e bandidos foragidos encontrados. A popularidade do apresentador foi tamanha que por três mandatos foi eleito com votação expressiva (na proporção voto/coeficiente eleitoral foi a maior do Brasil). A série é muito bem construída. É intrigante em seus oito episódios. Os diretores fizeram questão de contrapor as vers...