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O que podemos aprender com Maquiavel?

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Para Maquiavel os embates na república eram os responsáveis pela manutenção saudável do sistema político. O conflito para ele é inerente ao sistema, sem ele não se tem vida política. Num livro, pouco citado, mas de suma importância chamado “Discursos sobre Tito Lívio” Maquiavel traça um paralelo entre a Roma de Tito e a Florença de seu tempo. Nele faz comparações e apontamentos sobre a vida e atuação política. Como se organiza a política para Maquiavel? A política se organiza entre dois grandes grupos: os grandes e o povo. Esses não possuem identificação sociológica ou econômica. Sua identificação se dá pelos humores - do italiano umori. Uma espécie de desejo, ou ideologia – traduzindo para termos atuais. Nesse sentido, um pobre pode pertencer ao humor dos grandes e vice-versa. Qual é a identificação desses grupos? Os grandes têm o desejo de dominar e povo o desejo de não ser dominado. A orientação se dá por meio desses desejos. Nessa interação os grupos disputam e entram...

Inserção histórica do protestantismo no Brasil

O tema dos evangélicos e protestantes em geral ganhou notoriedade novamente após o anúncio da pastora Damares como ministra do governo Bolsonaro. Desde então pessoas dos mais diversos segmentos têm tentado entender a relação entre a inserção do protestantismo no Brasil, a política e sociedade. Podemos dizer que a inserção protestante no Brasil se deu em diferentes momentos históricos. Os estudiosos do pensamento cristão dividem em duas grandes matrizes. A primeira é conhecida como protestantismo de imigração e data de meados do século XVI quando os huguenotes franceses sobre a liderança de Villegagnon tentaram dominar o litoral do Rio de Janeiro e iniciar sua colonização naquela parte do Brasil. As comunidades de imigrantes protestantes que aqui iam se instalando tinha apoio religioso, mas sem cunho proselitista Naquele momento se entendia a expansão do evangelho por meio de valores cidadãos. Como educação, cultura, cidadania e desenvolvimento. Foi sob essa mentalidade ...

Afinal, de que lado o Estado está?

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6 de julho de 1831. O Estado brasileiro aprova uma lei que permite armar a população para se defender dos tumultos e perigos eventuais que se podia sofrer devido ao período alvorotado que o Brasil passava - A bem da verdade essa lei privilegiava os setores da classe alta da população.  Haviam alguns requisitos a serem preenchidos dentre os quais se destacava a renda anual. À época a empreitada ficou a encargo do ministério da justiça que tinha Feijó a frente dos trabalhos. Desse breve relato pode-se tirar algumas conclusões. Primeiro. Não é a primeira vez que o Estado brasileiro adota a repressão armada para reprimir a violência a acabar com o clima de insegurança. Como todo o organismo de manutenção e perpetuação do poder o Estado é repressivo e sua política se faz sentir sobretudo nos corpos dos despossuídos e insurgentes contra o sistema. O contexto do século XIX era de contestação e de levantes populares que reivindicavam melhores condições de sobrevivência. A isso o Esta...

justiça e cidadania

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Bolsonarismo

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Geralmente quando se estuda o populismo a primeira tendência é situá-lo na categoria de esquerda. Muita gente fez isso com Getúlio Vargas no Brasil; Perón na Argentina e Chávez na Venezuela. É farta a literatura que associa populismo com assistencialismo e esse à esquerda. Na contramão dessa perspectiva destacam-se os estudos de Ernest Laclau. Filósofo argentino que viveu muitos anos na Itália. Sua perspectiva diferencia-se do marxismo ortodoxo por se desvencilhar do que denomina de “economicismo” – análise excessiva por meio de categorias econômicas. Laclau é conhecido por situar a análise política em categorias que vão desde a análise sociológica à linguagem. Em relação a esta última cunhou um axioma preciso e, ao mesmo tempo, emblemático: “o povo é um significante vazio”. Sendo o povo um significante vazio está a espera de um significado. E isso pode ser tanto à direita, quanto à esquerda. Tomando por base as premissas de Laclau podemos identificar em Bolsonaro u...

Eu votaria no Haddad, se não fosse o PT

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Eu votaria tranquilamente no Haddad, se não fosse o PT. A executiva do PT adotou a estratégia mais infantil de todos os tempos. Primeiro faz da eleição uma disputa pessoal entre Lula e a justiça, personificada na figura de Sérgio Moro; depois rechaça uma possível aliança como vice na chapa Ciro-Haddad. Somam-se a isso declarações desastrosas como a da presidente rechaçando um apoio a Ciro, depois Jaques Wagner afirma que o medo que iria decidir os votos entre Bolsonaro e Ciro. O que dizer então da declaração de Zé Dirceu? Em plena campanha o homem adota um tom bolchevique e diz que o negócio é tomar o poder. Haddad ao ser questionado diz que Dirceu não fará parte de seu governo. O povo fica sem entender nada. Isso é por que o PT virou essa bagunça. Ninguém fala nada com nada. Durante a campanha se viu de tudo. O PT abusou da incoerência. Buscou aliança com os golpistas do MDB e se aproximou do inimigo histórico PSDB. Algumas figuras lendárias do PSDB declararam voto em ...

Brizola - biografia

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Quem me conhece de perto sabe que há muito tenho um hobby que me acompanha e pelo qual sou apaixonado: a leitura de biografias. Talvez seja meu lado cronista, ensaísta e jornalístico – ainda que inconsciente – aflorando. Se o axioma da psicanálise de que o inconsciente nunca nos trai for verdadeiro, explica-se facilmente meu gosto e paixão por biografias. Assisti a alguns documentários sobre a vida do lendário Leonel de Moura Brizola. Sua vida, trajetória, militância e galhardia me despertam muita atenção. Há detalhes em sua vida que são intrigantes. Seu contato com a Igreja Metodista, sua ida para Porto Alegre, sua resistência ao regime, a expropriação e nacionalização de empresas americanas no período como govenador no Rio Grande do Sul são alguns dentre tantos episódios. Confesso que quando iniciei a leitura do livro escrito por Trajano e Brigagão tinha a esperança de que as partes pelas quais mais me chamavam a atenção seriam retradadas, mas para meu desalento o r...